O transtorno esquizoafetivo (enquadrado no código CID F25) é definido pela coexistência de sintomas de esquizofrenia e de transtornos de humor (como depressão ou mania) em um mesmo período ininterrupto da doença. [1, 2]
Para fechar esse diagnóstico, a medicina utiliza critérios rígidos estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Os sintomas fundamentais e a regra de ouro que define o transtorno são divididos em três pilares principais: [1, 3]
1. Sintomas Psicóticos (Critério da Esquizofrenia) [4]
A pessoa deve apresentar dois ou mais dos seguintes sintomas ativos da esquizofrenia, sendo que pelo menos um deles obrigatoriamente deve ser do grupo dos três primeiros: [5, 6]
- Delírios: Crenças fixas e falsas que não mudam mesmo com provas lógicas em contrário.
- Alucinações: Ouvir vozes, ver coisas ou sentir sensações que não existem no mundo real.
- Discurso desorganizado: Fala confusa, que muda de assunto repentinamente ou perde o sentido lógico.
- Comportamento desorganizado: Atitudes bizarras, agitação sem motivo aparente ou catatonia (imobilidade).
- Sintomas negativos: Falta de expressão emocional (afeto embotado), isolamento social severo ou falta extrema de energia e iniciativa. [3, 5, 7, 8, 9, 10]
2. Sintomas Afetivos (Episódio de Humor)
Um episódio de alteração grave do humor deve ocorrer paralelamente aos sintomas psicóticos. O transtorno é dividido em dois subtipos com base nessa manifestação: [2, 6, 11]
- Tipo Depressivo: Marcado por tristeza profunda, desinteresse por todas as atividades, desesperança, alterações de sono e pensamentos de morte.
- Tipo Bipolar (ou Maníaco): Caracterizado por fases de mania, que incluem euforia exagerada, irritabilidade extrema, pensamentos acelerados, pouca necessidade de sono e comportamentos impulsivos de risco. [12, 13, 14]
3. A Regra de Ouro do Diagnóstico (O diferencial)
O que diferencia o transtorno esquizoafetivo de uma depressão grave com psicose ou do transtorno bipolar clássico é a linha do tempo dos sintomas: [3]
- Psicose independente: O paciente deve apresentar delírios ou alucinações por pelo menos duas semanas seguidas na ausência de qualquer sintoma de humor (sem estar em depressão profunda ou mania).
- Proporção do humor: Os episódios de alteração de humor devem estar presentes na maior parte da duração total das fases ativa e residual da doença. [3, 6, 8]
[12] https://www.gov.br
